Sons de Liberdade

A Peregrina te leva na festa de Congada & Moçambique, em Piedade Rio Grande (MG).

Foi numa dessas oportunidades que aparecem poucas vezes na vida, que fomos parar em Piedade do Rio Grande, para participar, com o grupo Ingoma, convidado da Congada e Moçambique, na tradicional Festa de Maio, que ocorre há 91 anos na cidade mineira, trazendo a cultura afro-brasileira e a igreja católica para o meio popular.

A dimensão histórica e cultural da festa só se fez perceptível ao chegarmos por aqueles ares de cidade simples que vibrava aos sons dos guizos que dançavam em cortejos, tomando as ruas de Piedade e tirando de cada um, lembranças, lágrimas e sorrisos. Só então percebemos a grandiosidade da celebração e do que aquela tradição representa para a fé dos que a perpetuam. Fé, porque a trilha que levou os negros dos grilhões da escravidão aos guizos do canto da liberdade, foi e é regada à muita devoção. E, acima de tudo, reflete um povo que não quer esquecer seu passado e entoa com alegria cantos, por vezes de dor, toda sua história.

Além da fé, a Congada e Moçambique é símbolo de luta, história, resistência e liberdade, exatamente por trazer consigo a cultura africana desde a escravidão até os dias atuais, nos quais agradecimentos aos santos se fazem presentes nas canções dos congadeiros-moçambiqueiros. Santos esses, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Mercês e São Benedito, cada um com sua devida história e importância, como em um dos cantos que diz: “…no dia 13 de maio, ela deu sua palavra”, fazendo referência à Nossa Senhora do Rosário, que selou a abolição da escravatura e foi louvada no domingo, último dia de festa.

A festa se divide em três dias, sendo que Congada e Moçambique se alternam nos dias em que saem às ruas, sendo os mesmos participantes, adultos e crianças, que transbordam energia, cantando e dançando desde as manhãs até tarde das noites, parando para um almoço oferecido a toda a população, e logo voltando aos cortejos, que termina em uma grande fogueira na praça da cidade, reunindo barracas de comidas, bebidas e artigos dos comerciantes locais. Para aqueles que visitam Piedade, é melhor se preparar para o frio e para os estabelecimentos que não passam cartão devido à dificuldade de sinal.

Festa da Congada e Moçambique em Piedade do Rio Grande (MG) - Fotos: Bruna Wing
Festa da Congada e Moçambique em Piedade do Rio Grande (MG) – Fotos: Bruna Wing

Não era de se espantar que em um lugar em que todo o povo manifesta sua fé, houvesse energia suficiente para fazer coisas ao menos intrigantes acontecerem, como foi o caso de algumas fotos tiradas durante a festa, enquanto, por exemplo, um congadeiro-moçambiqueiro louvava próximo à Igreja, cujas interpretações ficam em aberto.

O grupo Ingoma de tambor mineiro participou como convidado durante as missas e durante a procissão, onde dividiu as ruas com os grupos, e era claro o tom de respeito e emoção presente em cada um que tocava seu tambor durante toda a celebração. É impossível não se emocionar com a energia que envolvia aquele lugar e ao pensar em toda história por trás de tal manifestação.

Fica a memória de um dia de grande aprendizado, cujas emoções e vivências não serão apagadas e deixam vontade de voltar.

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